A proposta da Comissão Nacional de Biodiversidade, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, de classificar a tilápia e outras culturas como espécies exóticas invasoras mobilizou diversas entidades do agronegócio. O tema deve avançar ainda em dezembro, o que aumentou a pressão do Sistema FAEP e de outras organizações do setor. A questão dominou a reunião da Comissão Técnica de Aquicultura do Sistema FAEP nesta terça-feira.
Durante o encontro, o coordenador de Sustentabilidade da CNA, Nelson Ananias Filho, explicou o andamento das negociações para impedir a inclusão da tilápia na lista. Ele reforçou que entidades vêm questionando tecnicamente a proposta e, além disso, buscam ampliar o prazo para que o tema seja discutido de forma mais robusta.
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Setor aponta impactos econômicos e sociais
O presidente interino do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou que a tilápia, domesticada há décadas no Brasil, representa uma atividade essencial para a economia do Paraná e do país. Segundo ele, políticas públicas precisam considerar os impactos econômicos e sociais antes de tomar decisões que possam prejudicar produtores. Meneguette também defendeu que o debate seja levado ao Congresso Nacional, já que muitos pontos da proposta afetam licenciamentos ambientais e podem inviabilizar atividades produtivas.
Além disso, representantes da CNA lembraram que a lista de espécies invasoras também inclui animais que, de fato, ameaçam a agropecuária. Entre eles estão o javali, o mexilhão dourado, o lebrão e o búfalo, o que demonstra, na visão do setor, a necessidade de critérios técnicos mais claros para qualquer inclusão.
Tarifaço dos EUA preocupa o mercado
Outro tema tratado na reunião foi o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras de tilápia. Conforme dados do Agrostat Brasil, plataforma do Ministério da Agricultura, houve queda nas receitas e nos volumes embarcados pelo Paraná em 2025. Em relação a 2024, as receitas diminuíram 14%, passando de US$ 29,2 milhões para US$ 25,2 milhões. O volume também caiu, com recuo de 5%.
O cenário preocupa. Para Meneguette, mesmo com a estabilização nacional das exportações, o Paraná segue vulnerável devido à forte dependência do mercado americano. Por isso, ele reforçou a necessidade de acelerar as negociações para retirar os embargos que afetam o produtor paranaense.
